Então e o Tinder minhas amigas?

30-05-2017

Se eu fizesse esta pergunta na mesa de uma esplanada às minhas amigas, parece que já as estou a ver a dizer em uníssono: "Tinder mas isso é o quê, nunca ouvi falar?!". Uns amores, umas queridas, mas sonsas que só elas. A primeira vez que ouvi falar nesta bonita aplicação foi há uns bons anos. Na altura era casadíssima e não estava nem aí. Vivia basicamente uma vida monástica entre casa e trabalho, não tinha tempo e ainda tinha juízo. Portanto nem pensei mais nisso. Com o passar do tempo comecei a ouvir falar cada vez mais, sobretudo histórias de pessoas de coração partido graças à dita aplicação. Quando amigas próximas começaram a utilizar a aplicação lá perguntei com mais à vontade como é que aquilo funcionava. Estava cheia de curiosidade de ver se realmente era aquilo que diziam e como agora já tenho mais tempo e muito menos juízo decidi experimentar. Basicamente o Tinder é muito simples de se perceber. Foi concebido com o propósito de qualquer aplicação hoje em dia: dar a quem tem pouco tempo, um bem ou serviço rápido, que a pessoa precise depressa e que por tal, convém que esteja perto. Neste caso o serviço ou bem, não sei em que categoria se enquadra, é um pipi ou uma pilinha, e de preferência que venha anexado a um pacote agradável que toda a gente gosta de receber o que encomeda num papel de embrulho bonito. Baixamos a app, criamos um perfil, metemos umas fotos, dizemos se somos homem ou mulher, colocamos o alcance de idades que procuramos, permitimos que a app aceda à nossa localização e indicamos o perímetro de distância limite a que estão as pessoas que procuramos para "conhecer". A ideia do perímetro está genial, é tipo chamar o Uber que está mais perto. Se eu quero aquele serviço rápido convém não escolher alguém que more em Mirandela se eu morar em Olhão. Posto estes passos, qual catálogo de compras, começam a aparecer fotos de homens (no meu caso) ou de mulheres (noutros) e nós vamos passando o dedo e pondo o coração naqueles que se parecem com o que procuramos. O meu critério era muito simples, não ia meter um coraçãozinho em homens musculados que estão na foto de perfil em tronco nú como que a dizer: "Compenso com um grande caparro o que me falta em inteligência e pilinha", e pessoas com quem tivesse conhecimentos em comum no facebook. Só naquela de alguém ainda dar com a língua nos dentes e dizer: "xiiiiii o que ela foi fazer à vida!!! Até era tão atinada, nunca pensei, vou orar pela alma dela". Não foi fácil porque como o meu raio de alcançe era curto tinha "amigos de facebook" em comum com praticamente toda a gente mas pronto, lá meti uns corações aqui e ali. Depois esperei até alguém também pôr um coração na minha foto (tão fofinho), fazermos o match e aí é que vem a parte mais interessante porque dá para interagir e perceber como funciona. Eu digo interessante, porque sendo psicóloga, obviamente que o meu interesse apenas se baseava numa pesquisa académica sobre relações socias, ok? Depois funciona por fases, primeiro vem um olá, depois rapidamente se passa para o Whatsapp só para ser mais rápido falar e não há cá grandes conversas, é onde, quando e a que horas? Assim a frio, tau. É que nem se dão ao trabalho de fingir um bocadinho que são decentes e fofinhos e que não andam à procura de um engate rápido, mas sim da futura mãe dos filhos. Nem tentam aquecer o coração de uma rapariga carente e romântica que vai ao Tinder em busca do amor verdadeiro, sei lá com perguntas do tipo: "Tens hobbies?", "Pareces ser uma rapariga muito querida e inteligente ;)", "Gostas de ir ao cinema?" "Também és do Benfica?". Nada disso, é pão pão, queijo queijo, na minha casa ou na tua? Mais nada, cá merdas... Houve um que até me pediu para lhe madar uma foto de corpo inteiro. Acho que fez muito bem, porque se é para mandar vir, uma pessoa não quer comprar gato por lebre. Se eu ligar para a Telepizza a pedir uma Bacana não quero que me tragam uma Barbecue, pois claro. Também não era lá muito esperto porque eu podia enviar-lhe uma foto de há vinte anos e 40 quilos atrás e depois era uma desilusão e sabemos que desmarcarmos-nos cara a cara dá um certo trabalho. Pior ainda, se eu fosse ter a casa dele ainda ficava mais dificíl devolver-me rapidamente à procedência. Não é como ligar para a Chronopost e pedir para levar a encomenda de volta. Mas aqui está uma bela ideia de negócio para complementar o Tinder. Enfim, achei muito giro e recomendo vivamente a mulheres seguras de si, independentes, desenpoeiradas e que apenas se queiram divertir. Agora minhas queridas amigas, se tiverem a infeliz ideia de baixar o Tinder num dia de chuva, depois de ver o Titanic, com a Céline Dion a cantar ao berros "My heart will go onnnnnnnn and onnnnnnnnn", carentes e à procura de um princípe, será basicamente como quando vemos no National Geographic aquelas gazelas fofinhas a cirandar pela selva africana e já sabemos que vão acabar devoradas e com a cabeça pendurada na boca de um puma. Concluído, o Tinder não é para bambis nem bananas. Para isso há sempre o Urban.

Até Breve

Inês